Chico Buarque

"Canta, canta uma esperança / Canta, canta uma alegria / Canta mais..."

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Homenagem

Não é muito raro que os compositores façam homenagens musicadas uns aos outros, do tipo Caetano Veloso se referindo aos "blues do Djavan", ou Roberto Carlos cantando pelo mesmo Caetano "debaixo dos caracóis dos seus cabelos". Mas, em minha modesta opinião, nenhuma homenagem casou tão bem letra/poesia e melodia quanto a que Geraldo Azevedo fez em lembrança de Gilberto Gil, o mesmo Gil que um dia mandou carta em versos sonoros a certo cantor carioca iniciando assim: "Prezado amigo Afonsinho..." O caso é que, festejando seus 70 anos de presença física no planeta, Gil, reconhecido no início dos anos 60 como "o preto de que Caetano gosta", vem recebendo repetidas reverências e vale, aqui, recordar a composição do pernambucano Geraldo Azevedo, com sua "Ágil passarinho". Eis a letra (pena que o Youtube não tenha o vídeo correspondente...):

Ágil
Ágil passarinho
Age além do ninho
Ave leve assim
Arte
Coração e mente
Aflora semente
Canção
Age liberto
Passos de amor
Eira Gil
Ave canarinho
Passa passarinho
Passarão
Frágil
Livre aberto ao vento
Pensa pensamento
Solidão
Reage liberto
Passos de amor
Eira Gil
Ágil passarinho
Bem-te-vi menino
Juriti
Ave
Louva a Deus e nós
Ave rouxinóis
Voa boa voz
Voa voa menino
Numa boa
Sabiassumpreto zabelê
Entoa
Um som que ave maria
Marília Nara Preta
Marafilhas do amor
Pedra sobre pedra
Pedro sob luz
O bem
Regue liberto
Passos de amor
Eira Gil
A Gilberto passos
Gil Moreira



segunda-feira, 21 de maio de 2012

Mais uma subida do elevador

"I started a joke". Antes de estourarem com "Stayin' Alive", hit importante da era "disco", os Bee Gees faziam sucesso com esta composição que faz lembrar, de forma triste, nosso brasileiro Peninha e sua "Sonho", porque, enfim, "tudo era apenas uma brincadeira"... O fato é que Robin Gibb, criador do grupo que incluía seus irmãos, tomou o elevador e foi cantar "lá em cima"...


I started a joke
Which started the whole world crying
But I didn't see
That the joke was on me

I started to cry
Which started the whole world laughing
Oh if I'd only seen
That the joke was on me

I looked at the skies
Running my hands over my eyes
And I fell out of bed
Hurting my head from things that I said

'Till I finally died
Which started the whole world living
Oh if I'd only seen that the joke was on me

I looked at the skies
Running my hands
Over my eyes
And I fell out of bed
Hurting my head from things that I said

'Till I finally died
Which started the whole world living
Oh if I'd only seen that the joke was on me
Oh no! that the joke was on me
Oh...

quinta-feira, 17 de maio de 2012

O elevador sobe

A rainha das discotecas se vai... Donna Summer, a quem os amantes da "disco music" aprenderam a amar nos anos 70 e 80, tomou o elevador, estimulada por um câncer que a vitimou aos 63 anos. Nossa orfandade de belas vozes e inigualáveis talentos só aumenta...


quarta-feira, 16 de maio de 2012

Dias perfeitos

Um dia perfeito é aquele, pensam comumente, em que tudo dá certo. Nem tanto; um dia perfeito, conforme penso, é aquele no qual, mesmo que as coisas fujam ao nosso controle, nossa tranquilidade permanece inalterada. Foi assim na terça-feira que passou, ocasião em que as vivências seguiram sua sequência de sucessos, culminando com um sono tranquilo recheado de sonhos bons que tiveram como ponto alto a audição onírica de "Manhã de carnaval",  composição de Luiz Bonfá e Antonio Maria (muita gente pensa que é música de Vinicius de Moraes - a letra, pelo menos -, simplesmente porque ela integra a trilha do filme "Orfeu negro"...). Uma amiga querida costuma dizer que a terça-feira é meu "dia especial", apenas porque nesse dia me entrego às atividades espirituais na Casa Espírita onde atuo. Mas nesta terça tudo transcendeu e o que era tão somente especial ganhou ares de perfeição... Merecimento? Talvez necessidade... Vejam a letra de "Manhã de carnaval" tentem sentir não só a poesia, mas o convite à elevação da alma, uma vez que tudo quanto almejamos e realmente necessitamos está além deste mundo:

Manhã, tão bonita manhã
Na vida, uma nova canção
Cantando só teus olhos
Teu riso, tuas mãos
Pois há de haver um dia
Em que virás

Das cordas do meu violão
Que só teu amor procurou
Vem uma voz
Falar dos beijos perdidos
Nos lábios teus

Canta o meu coração
Alegria voltou
Tão feliz a manhã
Deste amor


sábado, 12 de maio de 2012

Tipo assim...


Meu sobrinho e afilhado Thiago Cordeiro, que faz carreira de ator no Sul e nas horas vagas faz mapas astrais e literatura, deixou este depoimento no Facebook e o reproduzo aqui:

"Sou apaixonado por tudo que faz vibrar o coração... Mas há vibrações e vibrações...
Duas músicas sempre foram os meus amores, os meus xodós, as minhas coisas fofas... "Vieste", de Ivan Lins, e "Sem mandamento", de Oswaldo Montenegro...
Mas o obra do Chico sempre foi a minha fuga, a minha procura pelo amor, a minha percepção do sentimento, o meu deleite verbal, enfim o meu sonho como artista...
E de tanto gostar de sua obra, nunca ousei escolher uma canção que a representasse pois me sentiria extremamente mal em relação a todas as outras que tanto me embalaram...
Mas diante desse verso:
"Meu coração, que você sem pensar, ora brinca de inflar, ora esmaga...."
... Me senti indefeso.
"Tipo um baião" é poesia, esperança, embalo, festa, sensualidade, tristeza, literatura e principalmente, amor... Tudo isso em forma de música!
Tornem-se indefesos também... Escutem!"




sexta-feira, 11 de maio de 2012

Silêncio

Trezentas postagens depois (esta inaugura a caminhada rumo às 400...), já posso fazer algumas reflexões acerca deste blog, concluindo o que, para mim, representa a mais evidente manifestação do que pode ser posto como a mais perfeita expressão da música e seus efeitos: o silêncio. Nada haverá de ser mais expressivo perante a música. E a Música, segundo aprendi, é uma das três linguagens de Deus em sua comunicação com o Homem, com o Universo. As outras duas são a Mística e a Matemática. E há, convenhamos, muito de matemática e mística na música, o que corrobora a tese filosófica quase religiosa. Nesse entremeio figura o silêncio, com sua ensurdecedora eloquência. Do mesmo modo "religioso", o silêncio, em seu expressão musicalmente reflexiva, é o que permite a comunhão com a instância divina, através da dinâmica da solidão bem vivenciada, o que proporciona a sintonia com a musicalidade divinal presente em cada ser da Criação. Não só os verdadeiros músicos compreendem isso, mesmo inconscientemente, como também, ou principalmente, os poetas, cuja alma é, em tese, sempre aberta aos eflúvios do incognoscível. E almas assim cantam em silêncio, produzindo música na solidão, sintonizando com o Imponderável... assim como Beethoven:



sexta-feira, 4 de maio de 2012

O elevador sobe


A chamada "música de raiz" no meu tempo de garoto era tão somente a boa e velha música caipira, antes que a mídia revertesse o significado desse termo. Assim, o que hoje parece "cult" e antológico antigamente era corriqueiro e a voz de muita gente boa, geralmente em duplas, ecoava pelos sertões e pela simplicidade dos conglomerados urbanos sem pedir licença e sendo muito bem aceita. Tonico e Tinoco eram bons exemplares representativos dessa época e agora são só lembrança, posto que o último integrante da dupla, Tinoco, que chegou a fazer carreira solo, tomou o elevador ontem, para reencontrar seu antigo parceiro e cantar moda de viola do outro lado da vida, certamente relembrando o sucesso que foi (e ainda é, em algumas rodas) por aqui a composição "Tristeza do Jeca", cuja letra segue abaixo...

Nestes verso tão singelo
Minha bela, meu amor
Pra você quero contar
O meu sofre e a minha dor
Eu sô que nem sabiá
Quando canta é só tristeza
Desde o gaio onde ele está

Nesta viola eu canto e gemo de verdade
Cada toada representa uma saudade

Eu nasci naquela serra
Num ranchinho beira chão
Tudo cheio de buraco
Donde a lua fai clarão
Quando chega a madrugada
Lá no mato a passarada
Principia um baruião

Nesta viola eu canto e gemo de verdade
Cada toada representa uma saudade

Vou parar com a minha viola já não posso mai cantar,
Pois o jeca quando canta tem vontade de chorar
O choro que vai caindo
Devagá se sumindo, como as água vão pro mar